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Conheça as 4 principais instituições de ensino das Forças Armadas

Você sabe onde se formam os oficiais de carreira do Exército, da Marinha e da Aeronáutica?

No último post, falamos sobre as unidades de operações especiais das Forças Armadas – aquelas que participam de missões de alto risco e possuem habilidades nas quais militares regulares não foram treinados. As capacitações dessas tropas acontece nos chamados centros de instrução, como, por exemplo, o Centro de Instrução e Adestramento Almirante Áttila Monteiro Aché (CIAMA). O CIAMA oferece cursos para militares de diversos grupos da Marinha do Brasil, preparando-os para exercer funções relacionadas a atividades de submarinos, mergulho e operações especiais em ambiente aquático.

Mas existem também outras instituições militares de ensino, que envolvem conhecimentos nas mais diversas áreas – desde sociologia e filosofia até técnicas de combate. Quer saber mais? Confira os quatro principais centros de instrução das Forças Armadas.

 

AMAN

Créditos: Academia Militar das Agulhas Negras

 

História e funções

A Academia Militar das Agulhas Negras é uma instituição de Ensino Superior e forma oficiais de carreira do Exército Brasileiro. Criada em 1810 pelo Príncipe Regente D. João, a AMAN foi inicialmente chamada de Academia Real Militar (apenas em 1951 recebeu seu nome atual). Localizava-se onde hoje fica o Museu Histórico Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. São mais de 200 anos de existência, durante os quais ocupou seis locais. Hoje, está sediada em Resende (RJ).

Quanto ao Batalhão Agulhas Negras – grupo formado pela AMAN –, foi criado por Decreto em 1950, e sua estrutura foi modificada cinco vezes. Hoje, conta com sete subunidades, sendo a mais antiga a Companhia de Guardas. Este batalhão é o maior do Exército, composto por mais dois mil oficiais com as seguintes atribuições: apoio à instrução e ao serviço; guarda, policiamento, controle de trânsito, conservação do patrimônio, segurança integrada e mobilização.

Também faz parte do Batalhão a Banda Sinfônica da AMAN, nascida em 1913. Ela participa das duas solenidades mais importantes da Academia: a Entrega de Espadins e a Declaração de Aspirantes. Também tem a missão de aproximar a AMAN e o Exército Brasileiro da comunidade civil, atuando como um veículo de Relações Públicas.

Em 2019, a primeira turma de mulheres da AMAN concluiu o primeiro ano de formação na EsPCEx. A própria Academia precisou se adaptar para receber as 34 cadetes, incluindo a capacitação dos militares responsáveis pela formação delas. Apesar de o Exército já permitir o ingresso de mulheres desde a década de 1990, elas ficavam restritas às áreas de apoio e às áreas administrativas.

 

Pré-requisitos

O processo seletivo para ingressar na AMAN é anual e oferece cerca de 500 vagas. Para se inscrever, o (a) candidato (a) deve ser natural do Brasil, ter entre 17 e 22 anos, além de ter concluído ou estar cursando o terceiro ano do Ensino Médio.

O concurso é de âmbito nacional e tem três fases: exame intelectual, inspeção de saúde e exame de aptidão física. Para mais informações, é só acessar o site da Escola Preparatória de Cadetes do Exército (EsPCEx).

Preparação

Para se formar na AMAN, os integrantes devem concluir um curso de cinco anos. O primeiro ano acontece na EsPCEx, na cidade de Campinas (SP). O objetivo do treinamento ministrado na EsPCEx é ajustar a personalidade do cadete aos princípios da vida militar. É nesta fase que ele vai adquirir os conhecimentos necessários para prosseguir na formação, incluindo técnicas, táticas de combate e capacitação física.

Ao longo dos três anos intermediários, o curso é direcionado para as três especialidades do Exército Brasileiro: Serviço de Intendência, Quadro de Material Bélico e Armas. Esta última é dividida em outras cinco especialidades: Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Engenharia e Comunicações.

São ministradas disciplinas teóricas de sociologia, filosofia, cibernética, química, português, economia, direito, geopolítica, estatística, espanhol, inglês, relações internacionais, entre outras. Ao término dos cinco anos, o concludente do curso é declarado Aspirante a Oficial e recebe o grau de Bacharel em Ciências Militares.

Para saber mais sobre a rotina dos cadetes da AMAN, acesse o vlog da instituição no Youtube: VEM SER CADETE.

Fontes: AMAN, G1.

 

ITA

Créditos: Instituto Tecnológico de Aeronáutica

 

História e funções

O Instituto Tecnológico de Aeronáutica é uma instituição universitária pública ligada ao Comando da Aeronáutica (COMAER) e subordinada ao Ministério da Defesa. Está localizada em São José dos Campos (SP).

Em 1941, a aviação do Exército e da Marinha se uniram para formar o Ministério da Aeronáutica, e o cearense Casimiro Montenegro Filho se tornou Subdiretor Técnico. Dois anos depois, viajou aos Estados Unidos, encarregado de trazer um lote de aviões norte-americanos para o Brasil. Durante a visita, conheceu o Massachusetts Institute of Technology (MIT) e voltou para casa maravilhado, já idealizando um Instituto como aquele no Brasil.

Após anos de preparação, trabalho e estruturação, o ITA foi criado em 1950, por meio de Decreto, com o objetivo de formar engenheiros de excelência e desenvolver tecnologia aeronáutica.

Atualmente, a instituição oferece:

  • Seis cursos de graduação: Engenharia Aeronáutica, Engenharia Eletrônica, Engenharia Mecânica-Aeronáutica, Engenharia Civil-Aeronáutica, Engenharia de Computação e Engenharia Aeroespacial;
  • Cursos de Mestrado e Doutorado por meio de cinco programas de pós-graduação, subdivididos em 20 áreas de concentração.

São 202 professores, 501 alunos de graduação, 1790 alunos de pós-graduação, 110 vagas oferecidas para 10788 inscritos no vestibular do ITA*. Desde 1950, 6466 graduandos já se formaram no Instituto; foram, também, 6134 pós-graduandos formados desde 1963.

* Números de 2018.

 

Pré-requisitos

Não existe idade mínima para ingressar na instituição, apenas idade máxima: 23 anos. O único requisito é que o (a) candidato (a) tenha concluído ou esteja concluindo o ensino médio no ano da inscrição. Os alunos que forem aprovados no vestibular promovido pelo ITA receberão ensino e alimentação gratuitos pelos cinco anos de curso, além de moradia a baixo custo dentro do campus.

Fonte: ITA

 

AFA

Créditos: Academia da Força Aérea

 

História e funções

Durante a Primeira Guerra Mundial, a Marinha ficou responsável por criar o primeiro núcleo militar de aviação do Brasil. Por meio de Decreto, em 1916, o então Presidente da República Wenceslau Braz fundou a chamada Escola de Aviação Naval.

A Escola de Aviação do Exército Brasileiro foi criada após o fim da Guerra, em 1919, também por Decreto. A partir de um crédito de dois mil contos de reis, foram providenciados aviões e outros materiais necessários para a infraestrutura, além da contratação de professores e operários.

Foi só em 1941 que as duas escolas deixaram de existir, e a Escola de Aeronáutica centralizou a formação de oficiais aviadores. Durante a Segunda Guerra Mundial, iniciou-se a construção dos primeiros hangares – poucos e precários, assim como os alojamentos, as pistas e outras instalações. Em 1969, a Escola de Aeronáutica passou a se chamar Academia da Força Aérea.

A missão da AFA é formar oficiais de carreira nos quadros de Oficiais Aviadores, Intendentes e de Infantaria da Aeronáutica. O treinamento dos cadetes tem o objetivo de desenvolver atributos militares, intelectuais e profissionais, padrões éticos, morais, cívicos e sociais. Para isso, são oferecidos três cursos:

  • Curso de Formação de Oficiais Aviadores da Aeronáutica (CFOAV);
  • Curso de Formação de Oficiais de Infantaria da Aeronáutica (CFOINF);
  • Curso de Formação de Oficiais de Intendentes da Aeronáutica (CFOINT).

 

Pré-requisitos

Todos os cursos da AFA duram quatro anos, e a única exigência é que os (as) candidatos (as) tenham entre 17 e 23 anos. São quatro as fases dos concursos aplicados pela instituição:

  • Exame de escolaridade, que envolve provas escritas de Língua Portuguesa, Língua Inglesa, Matemática, Física e Redação);
  • Inspeção de saúde;
  • Exame de aptidão psicológica;
  • Avaliação do condicionamento físico.

Quem optar pelo CFOAV, deve também passar pelo teste de aptidão à pilotagem militar.


Fonte: Força Aérea Brasileira.

 

Escola Naval

Créditos: Marinha do Brasil

 

História e funções

A Escola Naval (EN) é a instituição de Ensino Superior da Marinha e a mais antiga do Brasil. O objetivo da EN é formar oficiais para os postos iniciais das carreiras dos Corpos da Armada, Fuzileiros Navais e Intendentes da Marinha.

Foi criada em 1782, ainda em Lisboa, para preparar militar e academicamente os futuros oficiais da Armada. Na época, era chamada de Academia Real de Guardas-Marinha. Quando a Corte Portuguesa foi transferida para o Brasil, a Academia veio junto, e em 1808 aportou na Baía de Guanabara. A primeira sede da instituição foi o Mosteiro de São Bento, na cidade do Rio de Janeiro.

Recebeu o nome de Escola Naval em 1886, após se fundir com o Colégio Naval (instituição de Ensino Médio). Em 1938, foi transferida para a Ilha de Villegagnon, também na cidade do Rio de Janeiro, onde está localizada até os dias atuais.

 

Pré-requisitos

A maior parte das vagas da EN é preenchida pelos alunos do Colégio Naval, que fica em Angra dos Reis (RJ). Estes estudantes passam por um curso de três anos para que possam ingressar na Escola. As vagas restantes são preenchidas após processo seletivo. O (a) candidato (a) deve:

  • Ser natural do Brasil;
  • Ter entre 18 e 23 anos;
  • Não ser casado ou constituir união estável, além de não ter filhos (antes e durante o período em que estiver sujeito aos regulamentos da Escola Naval);
  • Ter concluído o Ensino Médio.

O concurso possui quatro etapas: prova teórica, inspeção de saúde, teste de aptidão física (natação e corrida) e avaliação psicológica.

Durante o curso, os estudantes recebem uma bolsa-auxílio, além do curso gratuito, alojamento, alimentação, ajuda para a compra de uniformes e assistência médica.

Preparação

Os selecionados no processo devem se apresentar na Escola para iniciar o Período de Adaptação. Nesta etapa, os futuros alunos são treinados para as atividades acadêmicas e administrativas a serem desenvolvidas na próxima fase, o chamado Ciclo Escolar. Nem todos chegam lá, porém: as três semanas de adaptação possuem caráter eliminatório.

Nos quatro primeiros anos de curso, os estudantes são aspirantes ao oficialato. Eles permanecem na EN em regime de semi-internato – ou seja, de segunda a sexta-feira, sendo liberados aos sábados e domingos. Quando termina o Ciclo Escolar, inicia-se o Ciclo Pós-Escolar, que dura um ano. Nesse período, os Aspirantes passam à função de Guarda-Marinha e se tornam Bacharéis em Ciências Navais. O objetivo do Ciclo Pós-Escolar é preparar os oficiais para o ensino profissional, por isso aprendem principalmente prática e instrução. Essa etapa do curso é conduzida em várias organizações militares, e uma parte dela também acontece em uma embarcação chamada de Navio-Escola Brasil.

É uma viagem de instrução por vários países, durante a qual a teoria que os estudantes receberam nos quatro anos de treinamento é posta em prática.

Após o fim dos cinco anos de curso, os formados devem escolher entre três Quadros:

  • Quadro de Oficiais da Armada;
  • Quadro de Oficiais Fuzileiros Navais, podendo chegar a Almirante da Esquadra;
  • Quadro de Oficiais Intendentes da Marinha, podendo chegar a Vice-Almirante (as aspirantes do gênero feminino vão obrigatoriamente para esse último quadro).

Fontes: Marinha do Brasil, Ministério da Defesa.


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