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Conheça os Navy SEALs, força de operações especiais da Marinha americana

Como explicado no último post, membros do Grupamento de Mergulhadores de Combate (GRUMEC) são chamados de SEALs brasileiros. Mas quem são os Navy SEALs? Em que missões atuam, como se organizam, qual treinamento recebem?

Os Navy SEALs constituem uma força especial da Marinha estadunidense, e sua sigla representa os ambientes em que operam (SEa, Air, Land – no mar, no ar e em terra). Assim como as forças especiais brasileiras, são treinados para agir em situações para as quais os oficiais regulares não foram capacitados. Estima-se que existam atualmente cerca de 3 mil SEALs ativos. Nunca um integrante da força foi deixado para trás em missão, e também nunca algum deles foi feito prisioneiro.

Geralmente, as operações realizadas pelos Navy SEALs são secretas, mas algumas delas acabam ganhando fama na mídia. Como aconteceu, por exemplo, com a captura de Osama bin Laden, em 2011. Naquela madrugada, uma equipe de 40 SEALs e também membros da CIA executaram bin Laden em Abbottabad, no Paquistão.

 

Créditos: Coffee or Die.

 

História

Depois que os japoneses bombardearam Pearl Harbor, em 1941, o exército estadunidense decidiu invadir o Japão. O ataque precisou ser feito pelo mar, e só então os norte-americanos perceberam a necessidade de criar uma equipe especificamente treinada para tais missões. Os seis times formados foram chamados de Naval Combat Demolition Units (Unidades de Demolição de Combate Naval) e logo evoluíram para se tornar os Underwater Demolition Teams (Equipes de Demolição Subaquática), ou UDTs.

Já na década de 1960, ocorreu a Guerra do Vietnã, conflito entre o Vietnã do Norte o Vietnã do Sul. O então presidente dos Estados Unidos, John Kennedy, decidiu enviar uma pequena equipe de guerrilheiros para ajudar seu aliado, o Vietnã do Sul, ocasião em que foram criados os Navy SEALs. O treinamento desta força especial foi definido a partir daquele adotado pelas UDTs.

 

Créditos: Navy SEAL Museum.

 

Missões

Basicamente, os SEALs atuam em cinco tipos de missão:

  • Guerras não convencionais: operações que utilizam táticas de guerrilha – grupos pequenos e móveis que adotam métodos não ortodoxos de batalha: destruição dos suprimentos inimigos, distrações, emboscadas, demolições, e outras ações que envolvem fuga posterior.
  • Defesa interna estrangeira: treinamento oferecido a cidadãos estrangeiros, de modo a construir relações amigáveis.
  • Ação direta: acontece quando os SEALs se movem contra um inimigo-alvo: assaltos a bases (seja em água ou terra), resgate de reféns, emboscadas, entre outras.
  • Contraterrorismo: é também uma ação direta, mas contra forças terroristas, e o objetivo é prevenir atentados, assim como proteger cidadãos e tropas.
  • Reconhecimento especial: são feitas pesquisas preliminares para que o grupo possa obter informações, como dados hidrográficos e geográficos, além de criar postos de observação e outros tipos de vigilância. Este tipo de missão pode ser feita secreta ou ofensivamente.

Nos mais diversos ambientes – desertos, montanhas, selvas, árticos, áreas urbanas –, os SEALs podem recorrer a uma série de recursos: paraquedas, submarinos, helicópteros, barcos de alta velocidade, patrulhas a pé e mergulho.

 

Créditos: RT.

 

Organização

Existem oito equipes de SEALs, cada uma delas dividida em grupos que possuem, no máximo, 16 membros. Geralmente, trabalham em unidades menores, pois operar com pequenos efetivos é um dos diferenciais da força. As unidades ímpares são baseadas em Coronada, na Califórnia, enquanto que as unidades pares localizam-se em Little Creek, Virgínia.

Outro grupo especializado dos SEALs seria o SDV, ou SEAL Delivery Vehicle. Os membros do SDV atuam em áreas fora do alcance dos SEALs regulares, para onde não podem nadar e carregar seus equipamentos. São duas divisões: a primeira se localiza em Pearl Harbor, no Havaí; e opera no Pacífico e nas áreas geográficas centrais. A segunda, fica também em Little Creek, e cobre o Atlântico, as áreas europeias e as áreas do Sul.

 

Créditos: Wired.

 

Requisitos

Não é necessário ter curso superior ou qualquer outra formação acadêmica. Para se tornar um SEAL, os requisitos são:

— Ser um membro ativo da Marinha dos Estados Unidos;

— Ser homem (mulheres não são aceitas);

— Ser um cidadão estadunidense;

— Ter 28 anos ou menos;

— Obter nota mínima no exame de acuidade visual: 20/40 para o olho dominante; 20/70 para o olho não dominante; acertos de 20/25 no teste de daltonismo;

— Obter nota mínima em um exame chamado Armed Services Vocational Aptitude Battery (ASVAB);

— Passar em exame físico para mergulhadores;

— Passar em um teste de triagem física: nadar 500 jardas em 12,5 min ou menos; descansar 10 min; fazer 42 flexões em menos de 2 min; descansar 2 min; fazer 50 abdominais em menos de 2 min; descansar 2 min; fazer 6 repetições de barra; descansar 10 min; correr 1,5 milhas de botas e calças compridas em menos de 11,5 min.

 

Treinamento

O treinamento dos Navy SEALs é de alta dificuldade, e, em média, apenas 25% dos candidatos conseguem concluí-lo. A primeira etapa da preparação é chamada de Basic Underwater Demolition/SEAL (Demolição Subaquática Básica/SEAL), ou BUD/s, e dura sete meses.

Nas cinco semanas iniciais, os futuros oficiais passam pela indoctrination (doutrinação), quando aprendem o que significa ser um SEAL e quais os princípios da força. Nesse tempo, eles se preparam psicológica e fisicamente para as fases que estão por vir. Os aproximadamente seis meses restantes se dividem da seguinte forma:

— Oito semanas de condicionamento básico;

— Oito semanas de treinamento SCUBA (nome do equipamento de mergulho);

— Nove semanas de treinamento para conflitos em terra.

O condicionamento básico é o período mais difícil do processo, em que há a maior taxa de desistência. Consiste em corridas, treinos de natação, calistenia (série de exercícios físicos de fortalecimento muscular) e operações em pequenas embarcações. Uma particularidade dessa etapa é o drown-proofing, ou afogamento, em que os candidatos devem aprender a nadar com as mãos e os pés amarrados. Isso acontece em uma piscina de 9 pés de profundidade (mais ou menos 2,7 metros).

 

Créditos: Business Insider.

 

Em outra parte, os trainees passam pelo que é chamado de cold water conditioning, ou condicionamento em água gelada – cuja temperatura oscila entre 18 e 20 ºC. Consiste em aquecer o corpo com exercícios, então entrar na água de roupa, depois sair e se exercitar novamente, e assim sucessivamente.

A quarta semana do condicionamento básico é chamada de Hell Week (semana do inferno). Os candidatos treinam por cinco dias e cinco noites com, no máximo, quatro horas de sono. São também quatro refeições quentes por dia, para manter o calor corporal após todos os treinamentos no frio e na água, mas muitos deles estão tão cansados que acabam dormindo enquanto comem. Nesses cinco dias, precisam passar por exercícios cronometrados, corridas e rastejar na lama.

 

Créditos: YouTube.

 

Depois da Hell Week, o treinamento SCUBA dá aos trainees noções de equipamentos de mergulho e navegação subaquática. E a preparação para conflitos terrestres oferece conhecimentos em coletas de informação, reconhecimento de longo alcance e batalhas em situações de proximidade.

Também fazem parte da lista: reação ao ataque de snipers, uso de armas afiadas (facas e outras lâminas), direção de diversos tipos de veículo, fugas em alta velocidade, técnicas de despistamento, combate corpo a corpo, habilidades médicas. Ainda no período BUD/S, os candidatos aprendem a manusear explosivos, infiltrar-se nas linhas inimigas e a lidar com prisioneiros.

Após essa etapa, os restantes são treinados por três semanas para pular de paraquedas, e então são encaminhados para o SEAL Qualification Training, ou Treino de Qualificação SEAL. O SQT dura 15 semanas e serve como um fechamento para o BUD/S, em que os futuros SEALs continuam melhorando as habilidades adquiridas nos meses anteriores. Só após o SQT é que os candidatos recebem um código de alistamento naval e o broche com o símbolo de tridente: são oficialmente condecorados SEALs.

Para aqueles que desejam ser integrados ao corpo médico, o treinamento se estende por mais 30 semanas. Os SEALs também podem participar de um curso de Reconhecimento Especial e Ação Direta, em que aprendem outras tarefas como: emboscadas táticas, ataques sniper, natação de combate, suporte aéreo e tiros navais.

 

Carreira

Os SEALs podem ser promovidos ao longo de seu tempo de serviço, mas a competição é grande e baseia-se na performance do oficial. Aqueles que possuem curso superior podem liderar unidades e treinar grupos de aspirantes a SEAL. Os próprios treinamentos oferecidos pela Marinha aos SEALs podem ser convertidos em horas-aula para um bacharelado ou similar no conselho de educação estadunidense – o que facilita a promoção.

 

Armamento

Estes são os armamentos utilizados pelos SEALs:

— Armas leves, como SIG Sauer P226 9mm ou MK23 MOD 0 calibre .45;

— Rifles, como a carabina automática M4A1 5.56mm e AK-47;

— Espingardas e metralhadoras, como MK43 e M2HB);

— Metralhadoras de mão, como HK MP5 9mm;

— Rifles de snipers, como M88 .50 PIP e M-14;

— Lançadores de granadas;

— Morteiros;

— Foguetes antitanque.

 

Fontes: US Navy, HowStuffWorks Science.


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